Entrou-nos pela televisão adentro, levou-nos ao cinema, convidou-nos ao teatro, fez-nos rir, provocou-nos com humor, era parte da família portuguesa. Ator, realizador e produtor, tinha 75 anos
Era um dos grandes nomes da ficção
portuguesa, do entretenimento, da interpretação, do humor. Nicolau
Breyner, 75 anos, morreu esta segunda-feira. A SIC Notícias, que avançou
com a notícia (entretanto confirmada pelo Expresso), refere que faleceu
vítima de ataque cardíaco.
Nascido a 30 de julho de 1940 em
Serpa, João Nicolau de Melo Breyner Moreira Lopes fez teatro e cinema,
mas foi provavelmente pela televisão que mais portugueses o conheceram.
Protagonizou “Nico d'Obra”, “Sr. Feliz e Sr. Contente”, “Nicolau no País
das Maravilhas”, “Vila Faia”. Nos últimos anos, entrou nas novelas como
“Flor do Mar”, “O Beijo do Escorpião” e “Jardins Proibidos”. Neste
momento, integrava o elenco da próxima ficção da TVI, “A Impostora”.
“Foi
uma aventura lindíssima [sobre a a novela “Vila Faia“]. Penso que, até
agora, foi mesmo a maior aventura profissional da minha vida”, confessou
ao Expresso em 2008.
Além das artes, Nicolau
Breyner ainda deu uns passos na política. Em 1995, foi o candidato do
CDS à Câmara de Serpa e em 2014 apresentou-se como candidato às eleições
europeias pela Nova Democracia (PND). Recebeu de Jorge Sampaio, em
2005, o grau de Grande Oficial da Ordem de Mérito.
Dizia-se
“imaturo” e sempre disposto “a embarcar em aventuras”. “Odeio rotina,
por isso, passado algum tempo de estar a fazer uma coisa, começo a
pensar no que vou fazer a seguir, e tem de ser qualquer coisa
diferente”, explicou numa entrevista ao Expresso em 2008.
Apesar
dos muitos anos de carreira, o reconhecimento como um grande ator só
chega no início do século. Andou entre a comédia e o drama, num percurso
que em 2014, em entrevista à “Notícias Magazine”, considerou como
“estranho”. “Os professores do Conservatório rotularam-me de ator
dramático. Decidi fazer o exame final com uma comédia e, dois dias
depois, o Vasco Morgado quis falar comigo, convidou-me para uma peça.
Fiquei então 20 anos a fazer comédia. Nos anos 1980, surgem as
telenovelas portuguesas e faço um papel dramático. Resultado: fiquei 20
anos a fazer drama. A partir daí, começou então a dizer-se que sou um
grande ator”, disse.
“Não tenho medo da morte, tenho pena de não viver”, comentou em 2014, depois de ter vencido o cancro na próstata.
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Que a sua alma descança em paz, foste uma grande pessoa para o mundo da televisão e para todos nós que gostamos, conhecemos, e amamos muito o tipo de pessoa que tu eras.
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